Imagina se não ia ter uma postagem "Braveheart" aqui, né? Claro que tantos anos depois todo mundo sabe que o filme do Mel Gibson, por Mel Gibson, com Mel Gibson é pura abobrinha - não só porque a internet já dissecou tudo o que havia para dissecar, mas porque, gente, é o Mel Gibson, né? E o conhecimento de história do cara tem se mostrado tão profundo quanto... bom, deixa pra lá. Voltarei ao verdadeiro coração valente - que se refere a **rufem os tambores** um coração de fato (sim, o órgão humano) mais tarde.
Primeiro vamos ao estranho: tem uma loja de Natal em Edimburgo que fica aberta o ano todo. Assim, é maio, MAIO, e ela é cheia de árvores, luzinhas e todo o bling natalino que você pode imaginar, em plena Royal Mile. O que é bem apropriado, porque Rudolph, a Rena do Nariz Vermelho, passou aí pela cidade hoje. O nome verdadeiro dela é Carol e ela parece estranhamente humana. É, esta que vos fala conseguiu a proeza, a taça joinha, o troféu #facepalm de queimar o nariz no sol num lugar onde a média de temperatura da primavera é em torno de uns dez graus e tem a fama de ser um dos mais nublados do planeta. Êeeee, parabéns para mim.
O que se pode extrair do evento patético do parágrafo anterior é que, acreditem se quiser, o dia hoje esteve simplesmente maravilhoso. Sol, sol, sol, sem uma gota de chuva, ou granizo, ou qualquer evento climático tipicamente "caledônio" (Calledonia é Escócia para os Romanos - reparem que já estou criando uma determinada atmosfera). Dia perfeito para mais um tour, dessa vez pelas Lowlands até um pouco além da fronteira com a Inglaterra.
Dica do dia: Quem um dia quiser pegar um tour saindo de Edimburgo, os de minibus são muito melhores. Mais alegres, há maior entrosamento, o papo é bacana e o passeio fica muito mais divertido. O entrosamento a que me referi foi, no caso, entre a dupla de brasileiros (eu e meu pai), uma alemã um pouquinho só mais velha que eu, uma inglesinha de 20 anos ultrasimpática e o guia e motorista escocês (culto, legal e viajado - casado, meninas, calma lá). Havia um grande grupo de romenos que, bom... eles entendiam de maçonaria e foi basicamente essa a contribuição deles, na parte mais bobinha do passeio. Como são várias coisas, vamos por itens:
1. Rosslyn Chapel - se você leu O Código da Vinci e tem memória de elefante, deve se recordar que esta é a capela do santo graal, que na verdade é a linhagem de Cristo, cujo segredo é protegido por templários-maçons, abobrinha, abobrinha, abobrinha. Nossos não tão amigos maçons romenos, que estavam super interessados em ver a capela pela maçonaria em si (ela tem uns símbolos dúbios), deram uma explicação lógica e convincente de que maçons e templários não têm muito a ver exceto o fato de os mais recentes terem usado um estilo de organização semelhante à ordem mais antiga (e que é semelhante a um monte de outras ordens de natureza parecida) e que, claro, por que não, um ou outro templário, ou mais provável, descendente de templário, acabou entrando na maçonaria, que é bem mais recente do que a turma da conspiração pensa. A capela? Super bonita, um belo trabalho dos - lá vai o trocadilho - "masons" (aka mestres construtores, não os maçons "freemasons" que a gente conhece hoje) da época, com uma historinha meio sangrenta como todos os monumentos similares, mas nada misteriosa ou muito relevante. O que conta lá é muito mais a riqueza de detalhes dos pilares e do teto medievais, os belos vitrais vitorianos e a própria arquitetura externa (que é a de uma capela mas que, se seu idealizador tivesse vivido o suficiente, seria uma catedral). Bacana, mas, sem dúvida, a visita menos interessante do tour.
2. Melrose Abbey. É uma ruína. Uma bela ruína, numa cidadezinha linda, com arredores verdejantes. Seria só o esqueleto de uma outrora imponente abadia destruída por um chilique de Henrique VIII (aquele cara simpático e nada sanguinário que todo mundo conhece) se não tivesse, bem recentemente, sido descoberto algo ali. Algo pequeno. E ao mesmo tempo, imenso.
Ok, ok, não é certeza absoluta, mas a datação de carbono - diz o guia - praticamente confirma: lá está enterrado o coração de Robert de Bruce. Existe uma lenda de que, ao morrer, Robert de Bruce instruiu que seu coração fosse levado em peregrinação à Terra Santa (ah, as cruzadas, tão bonitinhas - not). Como até o maior herói da história da Escócia achava que podia limpar sua alma e atingir o reino dos céus matando uns mouros no caminho ou pelo menos ajudando outros na "nobre" empreitada, lá foi um fiel amigo e seguidor com o coração do cara envolto no manto real e guardado numa caixa de prata e/ou chumbo. Enfim, o tal seguidor chegou na Espanha e adivinha só - ao invés de forçar seu caminho até a terra santa matando mouros no trajeto, foi morto por eles (é, é bem irônico). Bom, mas a lenda diz que, exibindo o coração de seu grande herói e dizendo palavras como "vai meu coração valente bla bla bla" ele salvou outros doze cavaleiros enquanto recebia o golpe fatal, e alguém, talvez um desses doze, levou o coração de Robert de Bruce de volta para a Escócia. Então, minha gente, como vocês provavelmente já sabiam, até o título do filme do Mel Gibson é baboseira. Não apenas se refere a outra pessoa, como se refere ao coração - físico, não metafórico - dessa outra pessoa. Ah, enquanto estou no assunto, descobri hoje que o panteão de heróis escoceses é mais ou menos esse: 1 - Robert de Bruce, 2 - William Wallace. 3 - Andy Murray. Não estou brincando.
3. A Muralha de Adriano. Não precisa de mais nada, além do fato de SER A BENDITA MURALHA DE ADRIANO. Empolgada, eu? Imagina, só um tiquinho. Crianças, eu andei do lado romano da muralha de Adriano. Eu andei do lado "bárbaro" da muralha de Adriano. Eu andei EM CIMA da muralha de Adriano! E quase 2 mil anos depois de sua construção, ela ainda tem uma presença e tanto. Pode não ter nem a metade da altura que já teve, pode estar em ruínas, mas ela acompanha o relevo e, nos pontos em que margeia um penhasco, é muito, muito impressionante. Confesso, fiquei emocionada, é um período da história que sempre me interessou e algo que eu sempre sonhei em conhecer. Valeu a pena. Valeu mesmo.
Falei demais de novo, né? Não tem problema, aposto que vocês estão pulando todo esse lenga lenga e indo direto ao que interessa - seguem as fotos!
















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