domingo, 31 de maio de 2015

Em Londres

Parte 1

Hoje me despeço da Escócia. Foram quatro dias incríveis, e o país me deixou com uma ótima impressão. Edimburgo entrou para a minha lista de "lugares em que eu gostaria de morar um dia", apesar da latitude, do frio e tudo mais. Além de linda, tem uma boa estrutura, o transporte urbano é muito abrangente e fácil de assimilar. Faltou ver muita coisa, e certamente voltarei com mais tempo para conhecer Glasgow e explorar as ilhas. Enfim, foi fantástico, e aqui no trem estou colada na janela vendo as últimas paisagens escocesas da viagem. Agora, para Londres!

Parte 2

Até chegar, fazer check-in no hotel, despejar a mala e almoçar, foi-se boa parte do dia, por isso, esse será um post bem resumido.

Fui à London Eye - a vista lá de cima é algo. O cineminha 4D, porém... meh.

No mais, foi aquela voltinha básica por Picadilly Circus, Trafalgar Square e Palácio de Buckingham. Agora vem um merecido descanso, porque amanhã tem mais.















sábado, 30 de maio de 2015

O Coração Valente

Imagina se não ia ter uma postagem "Braveheart" aqui, né? Claro que tantos anos depois todo mundo sabe que o filme do Mel Gibson, por Mel Gibson, com Mel Gibson é pura abobrinha - não só porque a internet já dissecou tudo o que havia para dissecar, mas porque, gente, é o Mel Gibson, né? E o conhecimento de história do cara tem se mostrado tão profundo quanto... bom, deixa pra lá. Voltarei ao verdadeiro coração valente - que se refere a **rufem os tambores** um coração de fato (sim, o órgão humano) mais tarde.

Primeiro vamos ao estranho: tem uma loja de Natal em Edimburgo que fica aberta o ano todo. Assim, é maio, MAIO, e ela é cheia de árvores, luzinhas e todo o bling natalino que você pode imaginar, em plena Royal Mile. O que é bem apropriado, porque Rudolph, a Rena do Nariz Vermelho, passou aí pela cidade hoje. O nome verdadeiro dela é Carol e ela parece estranhamente humana. É, esta que vos fala conseguiu a proeza, a taça joinha, o troféu #facepalm de queimar o nariz no sol num lugar onde a média de temperatura da primavera é em torno de uns dez graus e tem a fama de ser um dos mais nublados do planeta. Êeeee, parabéns para mim.

O que se pode extrair do evento patético do parágrafo anterior é que, acreditem se quiser, o dia hoje esteve simplesmente maravilhoso. Sol, sol, sol, sem uma gota de chuva, ou granizo, ou qualquer evento climático tipicamente "caledônio" (Calledonia é Escócia para os Romanos - reparem que já estou criando uma determinada atmosfera). Dia perfeito para mais um tour, dessa vez pelas Lowlands até um pouco além da fronteira com a Inglaterra.

Dica do dia: Quem um dia quiser pegar um tour saindo de Edimburgo, os de minibus são muito melhores. Mais alegres, há maior entrosamento, o papo é bacana e o passeio fica muito mais divertido. O entrosamento a que me referi foi, no caso, entre a dupla de brasileiros (eu e meu pai), uma alemã um pouquinho só mais velha que eu, uma inglesinha de 20 anos ultrasimpática e o guia e motorista escocês (culto, legal e viajado - casado, meninas, calma lá). Havia um grande grupo de romenos que, bom... eles entendiam de maçonaria e foi basicamente essa a contribuição deles, na parte mais bobinha do passeio. Como são várias coisas, vamos por itens:

1. Rosslyn Chapel - se você leu O Código da Vinci e tem memória de elefante, deve se recordar que esta é a capela do santo graal, que na verdade é a linhagem de Cristo, cujo segredo é protegido por templários-maçons, abobrinha, abobrinha, abobrinha. Nossos não tão amigos maçons romenos, que estavam super interessados em ver a capela pela maçonaria em si (ela tem uns símbolos dúbios), deram uma explicação lógica e convincente de que maçons e templários não têm muito a ver exceto o fato de os mais recentes terem usado um estilo de organização semelhante à ordem mais antiga (e que é semelhante a um monte de outras ordens de natureza parecida) e que, claro, por que não, um ou outro templário, ou mais provável, descendente de templário, acabou entrando na maçonaria, que é bem mais recente do que a turma da conspiração pensa. A capela? Super bonita, um belo trabalho dos - lá vai o trocadilho - "masons" (aka mestres construtores, não os maçons "freemasons" que a gente conhece hoje) da época, com uma historinha meio sangrenta como todos os monumentos similares, mas nada misteriosa ou muito relevante. O que conta lá é muito mais a riqueza de detalhes dos pilares e do teto medievais, os belos vitrais vitorianos e a própria arquitetura externa (que é a de uma capela mas que, se seu idealizador tivesse vivido o suficiente, seria uma catedral). Bacana, mas, sem dúvida, a visita menos interessante do tour.

2. Melrose Abbey. É uma ruína. Uma bela ruína, numa cidadezinha linda, com arredores verdejantes. Seria só o esqueleto de uma outrora imponente abadia destruída por um chilique de Henrique VIII (aquele cara simpático e nada sanguinário que todo mundo conhece) se não tivesse, bem recentemente, sido descoberto algo ali. Algo pequeno. E ao mesmo tempo, imenso.

Ok, ok, não é certeza absoluta, mas a datação de carbono - diz o guia - praticamente confirma: lá está enterrado o coração de Robert de Bruce. Existe uma lenda de que, ao morrer, Robert de Bruce instruiu que seu coração fosse levado em peregrinação à Terra Santa (ah, as cruzadas, tão bonitinhas - not). Como até o maior herói da história da Escócia achava que podia limpar sua alma e atingir o reino dos céus matando uns mouros no caminho ou pelo menos ajudando outros na "nobre" empreitada, lá foi um fiel amigo e seguidor com o coração do cara envolto no manto real e guardado numa caixa de prata e/ou chumbo. Enfim, o tal seguidor chegou na Espanha e adivinha só - ao invés de forçar seu caminho até a terra santa matando mouros no trajeto, foi morto por eles (é, é bem irônico). Bom, mas a lenda diz que, exibindo o coração de seu grande herói e dizendo palavras como "vai meu coração valente bla bla bla" ele salvou outros doze cavaleiros enquanto recebia o golpe fatal, e alguém, talvez um desses doze, levou o coração de Robert de Bruce de volta para a Escócia. Então, minha gente, como vocês provavelmente já sabiam, até o título do filme do Mel Gibson é baboseira. Não apenas se refere a outra pessoa, como se refere ao coração - físico, não metafórico - dessa outra pessoa. Ah, enquanto estou no assunto, descobri hoje que o panteão de heróis escoceses é mais ou menos esse: 1 - Robert de Bruce, 2 - William Wallace. 3 - Andy Murray. Não estou brincando.

3. A Muralha de Adriano. Não precisa de mais nada, além do fato de SER A BENDITA MURALHA DE ADRIANO. Empolgada, eu? Imagina, só um tiquinho. Crianças, eu andei do lado romano da muralha de Adriano. Eu andei do lado "bárbaro" da muralha de Adriano. Eu andei EM CIMA da muralha de Adriano! E quase 2 mil anos depois de sua construção, ela ainda tem uma presença e tanto. Pode não ter nem a metade da altura que já teve, pode estar em ruínas, mas ela acompanha o relevo e, nos pontos em que margeia um penhasco, é muito, muito impressionante. Confesso, fiquei emocionada, é um período da história que sempre me interessou e algo que eu sempre sonhei em conhecer. Valeu a pena. Valeu mesmo.

Falei demais de novo, né? Não tem problema, aposto que vocês estão pulando todo esse lenga lenga e indo direto ao que interessa - seguem as fotos!





















sexta-feira, 29 de maio de 2015

Another Sunny Day

Já que estou na Escócia, nada mais apropriado que dar ao post o título de uma música do Belle & Sebastian.

Pois bem, foi mais um dia de sol na capital escocesa. E de chuva. E parcialmente nublado. E de granizo. O clima aqui é assim, piscou, mudou. Às vezes, nem dá muito tempo de procurar abrigo, é encarar a chuva, que entre 10 e 5 minutos o sol volta a brilhar. Dali uns 20 chove de novo. Isso, claro, quando se trata de um dia de tempo bom.

Exageros à parte, o sol tem brilhado por aqui bem mais que eu esperava, o que permite que o dia ao ar livre seja bem longo. Hoje experimentei passeios para todos os gostos. Sabe aquela obrigatória passada por uma galeria de arte quando se viaja à Europa? Feito. Todos os pré requisitos básicos de uma galeria situada em uma cidade que não é conhecida pela pintura estavam lá. Renascentistas, com um ou outro quadro menos famoso de Rafael, um Da Vinci bem meia-boca, algumas esculturas (um Rodin), uma sala de impressionistas (com dois Monets e um Degas, todos meh) e uma obrigatória exposição de pintores locais, tanto antigos como atuais. A conclusão a que se chega é que como pintores, os escoceses são muito bons em fazer whisky. Ah, sim, havia uma sala dedicada a pintores holandeses e flamengos e, essa sim, era excelente. Não, não tinha Van Gogh. Mas tinha Van Dyke.

Já que mencionei whisky no parágrafo anterior... crianças, quando vierem para cá, não liguem se é um cliché de turista, visitem o Scotch Whisky Experience. A primeira parte do tour é meio idiota, com um carrinho em formato de barril que faz um passeio 'disneylândia de marmanjos' sobre cada etapa da fabricação na destilaria, mas depois que a guia (ou o guia) assume, vale a pena. Sentimos os aromas de single malts de quatro regiões produtoras diferentes, cujas características são muito bem apresentadas pela guia, e então, através do aroma favorito, escolhemos o tipo que desejamos provar. Há, em seguida, uma aula de degustação e uma visita à maior coleção de garrafas de Whisky do mundo. Algumas estão lá pela raridade do conteúdo, outras, pela peculiaridade da embalagem. Minha favorita é um tabuleiro de xadrez (!) em que cada peça há alguns milititros da bebida. E antes que você pense que a criatividade pára aí, olha só até onde vai: as peças brancas são os ingleses, as pretas os escoceses, e cada uma é representada por uma figura histórica de cada nação.

O ponto mais inusitado do dia foi, talvez, uma visita à praia no distrito de Portobello. É, praia. P-r-a-i-a. Tem uma dessas por aqui. E quando pára de chover granizo, surgem moradores locais do nada, passeando com seus cães e jogando - pasmem - frescobol na areia. Ah, sim, brincar com cães aqui é high tech - existe uma espécie de stick-catapulta de bolinha de tênis que arremessa a bolinha longe para o entusiasmado cãozinho europeu ir buscar. Excesso de desenvolvimento dá nisso, minha gente.

Já vi que estou me alongando demais por aqui, então só quero deixar mais uma informaçãozinha (faço questão). Geeente, eu subi a colina escarpada de Holyrood Park até o topo - um deles, há dois montes separados (cheguei a mencionar o local dois posts atrás)! Estou quebrada, claro, mas a vista lá de cima é incrível e a subida é, tenho de dizer, meio mágica. O vento faz a grama cantar, dá para sentir o cheiro das flores, e o cenário ali no meio das trilhas parece coisa de contos de fadas. As fotos não fazem justiça ao que é estar ali, nem de longe.

Bom, sobre fotos, finalmente, vamos à seleção do dia:













quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sol (e Chuva) nas Highlands

Pois é, e não é que o sol brilhou hoje? Bom, choveu também, e em alguns momentos esteve um frio de congelar os ossos, mas na maior parte do tempo o clima esteve assustadoramente bom. Para as Highlands.

Hoje foi dia de visitar as "Terras Altas", ouvir histórias e mais histórias sobre clãs, batalhas, Sir Robert de Bruce, William Wallace, Mary Queen of Scots, Jacobites, Campbells e MacDonalds e ver lugares realmente deslumbrantes, como Glen Coe - cenário do massacre dos MacDonalds pelos Campbells, ambos supramencionados, diversos Lochs (lagos), impressionantes Bens (montanhas ou montes), algumas com neve ainda nos picos e, claaaaro, um passeiozinho de barco pelo Loch Ness.

Glens, ou vales, de todos os tipos. Alguns cultivados, outros naturais, secos, com riachos, pântanos, estradas, e sempre de arrebatar os olhos. Vi o castelo onde Mary Stuart ficou aprisionada por 19 anos, vi o vale onde Robert de Bruce venceu os ingleses e deu um passo significativo para a independência da Escócia (assinada por ele pouco mais de uma década depois, e que iria durar até a união do Rei James I), vi a região onde os Jacobites foram vencidos pelos ingleses no século XVIII, o que deu origem, indiretamente, a uma grande emigração de highlanders aos Estados Unidos, tudo isso ao som de um mix celta-folk-pop, incluindo uma versão esquisitinha de Mull of Kintyre.

Mas... como eu imagino que os caros leitores estejam aqui mais pelas fotos do que pelo blablabla, vamos ao que interessa.

Ah, sim, antes que eu me esqueça - o post de ontem ganhou uma ediçãozinha nova para acomodar mais fotos.